Dieta vegetariana em gestantes: há motivos para preocupação?

São inúmeras as razões que levam pessoas a não consumirem carnes e outros alimentos de origem animal e esse tipo de dieta tem se tornado mais frequente nas últimas décadas. A popularização também trouxe muitos questionamentos sobre os possíveis riscos que o vegetarianismo poderia acarretar para a saúde, especialmente em situações especiais como a gestação.

É preciso esclarecer que, assim como entre os onívoros (pessoas que comem carne), existem diferentes composições na dieta vegetariana, pois alguns indivíduos aceitam laticínios e ovos, também chamados de ovolactovegetarianos, já outros excluem totalmente todas as fontes animais, são os vegetarianos estritos ou veganos.

Importante ressaltar que nenhum alimento é capaz de definir, por si só, a qualidade de uma dieta. Somente o conjunto equilibrado de diferentes grupos alimentares pode fornecer todos os nutrientes dos quais precisamos e na gestação isso não poderia ser diferente.

O aumento na demanda por proteínas durante a gravidez pode ser suprido exclusivamente por fontes vegetais, mas a variedade e a distribuição ao longo do dia precisam ser planejadas individualmente. Lembrando que os alimentos de origem animal, especialmente as carnes, apresentam aporte proteico muito acima das nossas necessidades, além de altos teores de gordura saturada. Desta forma, mesmo  para mulheres onívoras, o consumo deve ser limitado. O grupo dos feijões - que inclui também ervilha, lentilha, grão de bico e soja - pode ser um bom substituto proteico na dieta e seu consumo deve ser diário, especialmente

Foto por Charlotte Karlsen no Unsplash

nas gestantes veganas.

Entretanto, o cuidado nessa população não deve se limitar às proteínas, uma vez que a demanda por vitaminas e minerais também é aumentada no período gestacional. A primeira preocupação deve ser com a vitamina B12, obtida unicamente por alimentos de origem animal e essencial para o bom desenvolvimento do feto e saúde da mãe. Idealmente, as mulheres deveriam ser avaliadas antes de engravidar para, quando necessário, já iniciarem uma reposição.

Já o ferro é uma preocupação, independente de a mulher adotar ou não o vegetarianismo, devido ao aumento das necessidades maternas. Sua suplementação é recomendada na gravidez, sendo necessário avaliar o consumo de outros minerais como zinco e cobre, pois eles podem competir entre si. Deve-se considerar ainda que o consumo de boas fontes de vitamina C nas refeições  auxilia na absorção do ferro de fontes vegetais e precisa ser estimulado.

Outro mineral importante é o cálcio, cuja demanda aumenta ao longo da gestação e as mulheres que não ingerem leite e derivados precisam incluir alimentos enriquecidos para não desenvolverem deficiência.

Nutrientes como ômega 3 e vitamina D também podem ser limitantes na dieta vegetariana e é preciso avaliar seu consumo. No caso do Ômega 3 existem fontes vegetais como o óleo de linhaça, enquanto a vitamina D, também conhecida como vitamina do sol, precisa ser monitorada em veganas que se expõe pouco ao sol, pois suas fontes alimentares são predominantemente de origem animal e o uso de suplementos é uma opção.

Desde que se observem os pontos críticos citados é perfeitamente possível uma gestação saudável e sem deficiências nutricionais em gestantes vegetarianas, mesmo as estritas. Entretanto, assim como para as onívoras, uma boa avaliação nutricional com acompanhamento adequado ao longo da gestação e após o parto, previne complicações para que a mulher possa aproveitar ao máximo esse momento tão especial da maternidade.

Josi Freitas de Melo

Nutricionista. CRN-3: 26020. Especialista em Nutrição Clínica, Enteral e Parenteral. Analista de Saúde na Prefeitura de São Paulo. Atende no Consultório Cuidar - Pediatria e Cuidado Integral, em São Paulo. www.cuidarpediatria.com.br.

 

Foto em destaque por Fallon Michael no Unsplash.

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